sábado, 24 de março de 2012

Onde o desespero veio, mudei de cor, de rosa, fiquei verde. Desbotada, rosa-choque, amarela, verde, azul, pálida. Recalcada, desfalcada, vermelha, roxa, azul, calma, depois fui variando novamente, colorida, alegre. Precisei ficar cinza, mas novamente voltei a ficar rosa como sempre fui e sou. Soube variar de cor, mas soube retornar a minha cor.

Variei um pouco a cor, como vario o meu preço, meu endereço, minha vida, meus trejeitos. De fúcsia a tons intensos, mudei o tom, degradê, tons vibrantes, foquei. Continuo nesse foco, mudando.
Mas eu prefiro dormir do que ter que definir o amor, e toda essa minha
versatilidade,
inconstância,
liberdade, camaradagem.
mas há coisas assim, que nem eu entendo,
nem o tempo percebe, aí vem o vento
e muda as direções.
Aí vem o amor com suas surpresas,
levando minhas contradições.

Amor e amantes sedentos


O mar insiste me bater as ondas, as ondas insistem em se jogarem.
 Onde teus olhares, teus saberes, me sustentares, vou estar presente,
Onde me levares, vou ficar.
Enfeitei-me de seu olhar. De seu ficar. De seu passar.
Enfeitada de poesia dos versos que aqui se fazem e continuam a formar.
Encontrei uma janela.
E se tudo fosse pranto? Ou um encanto, ou canto?
 E se tudo fosse lento, divino e lindo como esse momento?
Se tudo fosse para amantes sedentos?
Nessa paixão, jorra vida, entorpecida, debruço sobre ele. De braços abertos,
de braços fechados, a mente aberta, o coração inquieto, batendo sossegado.
A primavera vai e vem, o outono une o a música e nosso chão alagado.
E se tudo fosse um fim ao tormento? Tudo Lento, por nós sedentos. Neste mundo, andamos. Escuta esse som que estou escutando, somos muito santos, somos quentes.
Onde não existisse frio e o tempo fosse para amantes sedentos.


O amor é aquele que não importa se é cedo, te leva o medo. Te guia, cede.
E se tarde, ainda será fogo que te arde. Ainda te arde.

Quando amo, amo devagar, para não me machucar, qualquer coisa
é só eu consertar. Erro pior pode ser escrever. Ou como idiota, me lamentar.
Não venho implorar ou explorar. Só tens que consolar.

terça-feira, 20 de março de 2012

O tato

Para sentir o perfume das flores, é preciso ter o olfato apurado.
Para ouvir uma boa música, é preciso ter a audição apurada.
Para ter o tato apurado, eu preciso ter você.
O amor de verdade não cria muitas expectativas, não demora para te ver sorrir,
não grita, não avisa, não precisa tirar teu ar, porque apenas existe em teu olhar.
Em cada ato, em cada passo, em cada tua palavra, voz, ele se faz presente.
Não precisa apenas ser o sol, mas precisa ver o sol em vc.